quinta-feira, 23 de abril de 2015

DINÂMICA DO BICHO


 DINÂMICA DO BICHO

Essa dinâmica foi apresentada para a III Turma do Curso DISSEMINANDO SABERES SOBRE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO –– ano 2015.

Objetivo da dinâmica:
Provocar, no final, uma reflexão sobre a individualidade da construção do conhecimento.
Metodologia da dinâmica:
Inicia explicando ao grupo que durante a narrativa da história que irá apresentar cada pessoa fará o desenho da figura do bicho seguindo as características citadas.
No final, da história todos comparam entre si os seus desenhos e comentam espontaneamente sobre a experiência.
Em seguida, apresenta-se a reflexão final (sugerida no final do texto) e discute-se sobre ela.
Finalmente, apresenta-se a imagem do tal “bicho”, que , por incrível que pareça a todos trata-se somente de um elefante, descrito peculiarmente por alguém.



O BICHO
Amigo,
Nas minhas andanças afoito por descobrir florestas e conhecer novos espécimes de animais, deparei-me com um... E, tal assustadora foi essa experiência inusitada, que por muito tempo me questionei se tratava de um sonho.
Aliás, atrevo-me a dizer que cheguei a pensar que acabara de encontrar o tal “bicho-papão” de quem a minha mãe tanto falava quando eu era criança.
O bicho estava escondido atrás de umas árvores. Escondido não seria bem o termo, pois ele precisaria de um vagão de trem para ocultá-lo.
Vou descrevê-lo, confiando na sua habilidade de desenhar, para que eu possa guardar essa imagem no meu diário de bordo.

            O pescoço grosso como uma caldeira de ferver roupas, segurava a sua cabeça que parecia um bate-estaca, achatada no alto e projetada para frente como um ferro de engomar gigante.

Na cabeça se encontrava algo que me deu a impressão de serem duas asas enormes... Não eram pontudas, nem tinham penas.... Não... Eram mais parecidas com folhas de couve gigante, roídas nas abas. Elas se balançavam o tempo todo.

 Ele tinha dois olhos negros e brilhantes como bolas de gudes, mas cobertos com umas pálpebras que lhes dava um ar de tristeza, e ficam presos de um lado e do outro da cabeça.

 Além dos quatro pés ele tinha apenas um braço esticado para a frente do pescoço. O bicho apresentava uma habilidade manual incrível ao pegar as frutas caídas no chão e levava-las à boca para mastigar e engolir.

A boca, essa parecia um túnel escuro, não dava para ver os dentes lá dentro, mas, duas lanças se projetavam para fora e uma língua pontuda e rosada saia de vez em quando, deliciando-se com as frutas.

O corpo, enorme, parecia uma montanha rachada, com alguns pêlos ralos. Se eu fosse escolher uma forma geométrica para descrevê-lo eu utilizaria o círculo “deformado”... Como um balão muito inchado apoiado em quatro patas, que tinham que ser muito fortes para sustentá-lo.

Do seu enorme traseiro pendia uma calda lisa, desproporcional para o corpo, esticada e com uma espécie de pincel pendurado na ponta.

            Tenho a certeza de que o seu desenho será maravilhoso e útil. Obrigada.                                                   

           
REFLEXÃO: Embora recebendo informações idênticas, elas se refletem particular para o individuo receptor. Cada um processa de forma diferente, de acordo com as suas próprias experiências. Ainda que haja semelhança no entendimento da mensagem, a reprodução da mesma reflete a habilidade individual da pessoa que repassa. Cada pessoa é única em seus potenciais e dificuldades. Isso deve ser considerado, respeitado e valorizado.

*Texto de Ivana Lucena (adaptação de uma dinâmica de grupo)



O BICHO

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

TRABALHO APRESENTADO NO CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO E INCLUSÃO


Universidade Federal da Paraíba - UEPB -  - Campina Grande-PB - 1 a 3 de dezembro de 2014

NÚCLEO DE ATIVIDADES DE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO DO RN: possibilitando a inclusão educacional e social
Ivana Maria Lucena Silva SUESP- NAAH/S - euivanalucena@gmail.com
Adriana Márcia Aguiar Saraiva- SUESP- NAAH/S - naahsrn@gmail.com
Grace Dantas da F. e Silva SUESP- ITINERÂNCIA - gracefonseca01@hotmail.com



RESUMO

O Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação do Rio Grande do Norte – NAAH/S-RN, diante do desafio de educar na diversidade e tencionando minimizar o desconhecimento e/ou despreparo evidenciado dos profissionais da educação para a identificação e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos com altas habilidades/superdotação, desenvolve entre outras ações a formação de professores. O presente artigo detalha a realização do Curso, intitulado “Disseminando Saberes sobre Altas Habilidades/Superdotação”, com carga horária de 30 (trinta) h/aula. O mesmo foi realizado no primeiro semestre do ano vigente, destinado aos professores da Rede Estadual de Ensino, utilizando-se de palestras, exposições dialogadas e relatos de experiências. A organização pedagógica do Curso apoia-se em um referencial teórico com base no pensamento de autores como Renzulli (1978, 1986), Alencar e Fleith (2001, 2006), Perez (2002), que contemplam essa área de estudo, de modo a oportunizar aos participantes a construção de conhecimentos sobre as principais características desses alunos, estratégias de identificação e atendimento educacional especializado para os alunos com altas habilidades/superdotação. O curso oportunizou reflexões a respeito dos mitos e concepções sobre o tema; as principais características cognitivas e emocionas dos alunos com altas habilidades/superdotação; o cérebro e o desenvolvimento da inteligência e a importância de atividades estimuladoras para enriquecer e suplementar o currículo escolar desses alunos. Essa experiência de formação exitosa é parte de um conjunto de ações realizada pelo NAAH/S-RN, que se constitui como espaço de apoio às escolas para o atendimento aos alunos com altas habilidades/superdotação no nosso estado.


Palavras-Chave: Formação. NAAH/S-RN. Altas Habilidades/Superdotação. 



terça-feira, 21 de outubro de 2014

CURSO DISSEMINANDO SABERES SOBRE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO - SEGUNDA TURMA/2014.

         O Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação do Estado do Rio Grande do Norte, esta realizando o Curso Disseminando Saberes sobre Altas Habilidades/Superdotação para a segunda turma de 2014. Na próxima sexta-feira, 24 de outubro teremos o nosso terceiro encontro, seguindo o cronograma previsto.
O Curso segue o mesmo padrão da primeira turma e apresenta os seguintes critérios:
OBJETIVOS
       Oferecer cursos de formação continuada para professores e profissionais da educação da Rede Estadual de Ensino do Rio Grande do Norte.
       Proporcionar a equipe pedagógica e professores de AEE e sala de aula regular o conhecimento sobre a identificação das necessidades educacionais especiais dos alunos com altas habilidades/superdotação, para a identificação, o atendimento e o desenvolvimento desses alunos nas escolas públicas estaduais, possibilitando sua inclusão efetiva no ensino regular da educação básica.
FORMATO DO CURSO
       CARGA HORÁRIA:
20h/Aula presencial
10h/Atividade extraclasse
       METODOLOGIA:
Serão desenvolvidas apresentações teóricas dialogadas e/ ou oficinas pedagógicas distribuídas em 05 Encontros pedagógicos.
       CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:
Frequência de 80%, participação e relatório avaliativo
       PUBLICO/VAGAS:

50 Professores/ profissionais da Educação da Rede Estadual de Ensino do RN.

























As imagens de registros do curso encontram-se na página do Facebook do NAAH/S
Naahs Potiguar no álbum CURSO DISSEMINANDO SABERES SOBRE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO - 2ª Turma/2014.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

UMA REFLEXÃO SOBRE A BIOGRAFIA DE HANNAH ARENDT E UMA COMPARAÇÃO COM OS NOSSOS ALUNOS







“Quem habita este planeta não é o Homem, mas os homens. A pluralidade é a lei da Terra.” (HANNAH ARENDT)







Neste dia 14 de outubro de 2014, o Google na sua página de pesquisa apresenta uma homenagem a Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX. Perseguida pelo regime de Adolf Hitler, ela construiu uma obra fundamental para a compreensão da política e da condição humana.
Dentre outras informações a respeito dessa filosofa política, chama-nos a atenção, nós que estudamos alunos com altas habilidades/superdotação, dois destaques  na sua biografia publicada pelo  jornalista Sergio Amaral Silva que a titula pensadora da política e da liberdade”. Ele relata que Tendo perdido o pai com sete anos incompletos, mostrou-se precoce ao tentar consolar sua mãe, Martha Arendt: "Pense - isso acontece com muitas mulheres", teria dito a menina, para espanto da viúva.”. Em seguida Sergio Amaral descreve sobre toda a estimulação que a mãe realizou com a filha, segundo ele, uma “educação marcadamente liberal”, orientanda com ideias da social-democaracia.
Observamos aqui um potencial evidenciado pela mãe e devidamente estimulado que resultou na formação de uma pessoa que se destacou universalmente com os seus pensamentos avançados a respeito de política e organização social.
Em seguida, na biografia apresentada por Sergio Amaral, ele relata um fato que é muito comum observarmos no acompanhamento dos casos com alunos com ah/sd ainda hoje. Segundo ele, aos dezessete anos Hannah Arendt “abandonou a escola por questões disciplinares”. Essa questão de dificuldades de adaptação ao modelo acadêmico e normativo das nossas escolas continua presente, apesar dos avanços que a educação demonstra.
Cabe aqui uma reflexão: Como o potencial de Hannah, evidenciado pela sua mãe e pertinentemente aproveitado, não teve o mesmo tratamento na escola?
Estamos o tempo inteiro perguntando isso quando nos deparamos por exemplo, com casos como o de uma aluno acompanhado pelo NAAH/S. Aos 20 anos de idade, com um histórico de muitas reprovações, sofrimentos com bullying e com posturas de exclusão por parte dos professores, ele é um leitor em potencial. De acordo com informações obtidas pela mãe, desde pequeno, incentivado por esta, lê gêneros literários diversos e hoje mantém uma biblioteca particular com mais de 70 títulos. Essa característica é totalmente desconhecida e, consequentemente, não é aproveitada pela escola.
Assim, o que a escola ignora, fatalmente não aproveita e não estimula. O que a escola ignora, obviamente não respeita e desconsidera como potencial A escola passa a cobrar e avaliar de formas alheias às características pessoais do aluno e condena-o a anos e anos de retenção e sofrimento no espaço escolar.
O que nos admira nesse aluno aqui mencionado é que, apesar de tudo, ele ainda mantém a vontade de estudar, de concluir os estudos. A sua postura soa para nós como se tratasse de “mais uma chance” que ele ainda estar dando para a escola se redimir com relação aos estragos que essa já provocou nele.
O nosso trabalho, dentro do Núcleo de Atividade de Altas Habilidades/Superdotação corresponde à contribuição para que a escola reavalie as suas estratégias de atendimento e avaliação do aluno, procurando valorizar os seus potenciais, compreendendo as suas limitações e contribuindo para a superação das suas dificuldades.
Quem sabe estejamos contribuindo também para que aconteçam histórias de sucesso como a de Hannah Arendt?
 A quem interessar, vale a pena ler o restante da Biografia da filosofa para comprovar o alcance do seu sucesso acadêmico e ver como a sua história torna-se exemplo para todos nós.
Ivana Lucena


Fontes:
 (Consultadas em 14/10/2014 às 10 horas AM)




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

CURSO DISSEMINANDO SABERES SOBRE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

O Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação - NAAH/S-RN, está abrindo a segunda turma do Curso Disseminando Saberes sobre Altas Habilidades/Superdotação.
Trata-se de um curso aberto para os profissionais da educação que atendem aos alunos nas escolas regulares da rede pública estadual de ensino.  
O objetivo do curso é o de proporcionar a equipe pedagógica e professores que atuam nas escolas regulares o conhecimento para a identificação e o Atendimento Educacional Especializado dos alunos com altas habilidades/superdotação.
O curso se constitui em 05 encontros semanais, nas sextas-feiras, no horário vespertino, composto de uma carga horária presencial de 20 horas/aula presenciais e um trabalho de conclusão correspondente a 10 horas/aula, totalizando 30 horas/aula. Será realizado no espaço do auditório da Escola Estadual Desembargador Floriano Cavalcante, localizada em Rua Manacás, s/n Capim Macio Natal/RN, próximo ao Shopping Via Direta. 

A ficha de inscrição deve ser solicitada a equipe do NAAH/S através do E-mail abaixo:
E-mail:
naahs@rn.gov.br

Equipe Técnica Pedagógica

Ivana Lucena
Adriana Aguiar
Contato: 3232-1455/1454
OBS.: Depois de preenchida, a ficha de inscrição deverá ser entregue na sala do NAAH/S até o dia 04 de outubro de 2014 no endereço informado no convite acima.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A GERAÇÃO QUE NÃO SABE RECEBER UM NÃO




A proposta deste Blog é tratar sobre artigos e opiniões relacionadas ao tema altas habilidades/superdotação. Todavia, é importante declarar que, embora as suas especificidades, quando se trata de educar os filhos para a vida algumas orientações são generalizadas.
O artigo abaixo fala dessas dificuldades que os pais hoje enfrentam diante de uma geração cheia de argumentação e declarante dos seus direitos, mas, pouco ciente dos seus deveres e também extremamente imatura para enfrentar as contrariedades que a vida ás vezes oferece. 
Esperamos que o texto contribua para a reflexão de que oferecer "tudo" ao filho não é garantia de poupar-lhes sofrimento, muito pelo contrário.

Meu filho, você não merece nada
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br 
Twitter: @brumelianebrum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.


Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.htm
Consultada em 27/08/2014 às 17:00